Ser Ou Não Ser Empreendedor?

O caminho árduo do empreendedorismo

Ser Ou Não Ser, Eis A Questão

Hoje, a maior parte da população busca “estabilidade”, mas o que isso quer dizer? Para muitos, uma renda moderada, confortos básicos atendidos e segurança.

Contudo até onde esse senso de comodidade é benéfico? De acordo com Robert Arnott, “em investimentos, o que é confortável raramente é rentável”. Sendo assim, o que é preciso para ser empreendedor hoje, em meio ao cenário exigente em que vivemos?

Basicamente, sair da zona de conforto, deixar de lado um pouco do que a sociedade taxa como o padrão: faculdade, estágio e encontrar um emprego seguro. Se você pensa fora da caixa, o primeiro passo já foi dado. Um preço a se pagar pelo sucesso, independência financeira e realização é, sem dúvidas, a insegurança.

Entretanto, pode ser complicado sair dessa zona de conforto com tantos contras: uma crise assolando o país, um cenário pouco favorável e, ainda assim, competitivo. O que nos leva a crer que tem de haver um diferencial.

Crises são momentos instáveis, não há como negar. Historicamente, a imagem que temos de crise é, por exemplo, 1929, com pessoas se jogando dos prédios e taxas altíssimas de desemprego. Diante disso, o medo e o empreendedorismo são questões conflitantes.

Mesmo assim, em meio a um cenário pessimista, grandes ideias surgiram; empreendedores vislumbraram que aquele poderia ser o momento de se arriscarem e buscarem o sucesso e eles estavam certos.

Alinhando suas necessidades com os recursos disponíveis, esses homens conseguiram se tornar grandes nomes em meio a um cenário negativo. Um exemplo claro é Charles B. Darrow. Após ser demitido de uma empresa que passava por uma crise financeira, ele começou a cuidar de seus filhos em casa.

Devido à situação econômica precária, as crianças não possuíam muitos brinquedos ou divertimento, levando Darrow a criar um jogo de tabuleiro para sua família passar o tempo. Esse jogo se tornou popular entre seus conhecidos, até que Darrow decidiu comercializá-lo. Assim surgiu o Monopoly.

Seguindo esse exemplo, se Charles não tivesse, em meio às adversidades, seguido com sua ideia e investido nela mesmo com todas as dificuldades, hoje ele não seria lembrado como um daqueles que conseguiu vislumbrar na crise o lado da oportunidade e não o da estagnação.

A verdade é que não existem “dogmas” quando falamos de economia, ela é totalmente mutável e esse é seu intuito.

Chegando ao ápice em momentos desfavoráveis

A crise pode assustar muita gente, e com razão. Não estamos vivendo bons momentos, não vemos uma boa perspectiva no curto prazo e não se sabe quando este cenário pode mudar.

O fato é que tudo isso não pode ser o fator determinante e definitivo na decisão do empreendedor. Por isso, trazemos duas novas maneiras de pensar o seu negócio, que podem ajudar não só a competir no mercado, mas também a ser diferente e a vencer.

Todos já ouvimos (e sentimos) que, no mundo, informações surgem e mudanças ocorrem em uma velocidade impressionante, que, por vezes, nos impede até de acompanhá-las. Dentro de um cenário de crise, os empreendimentos rígidos, burocráticos e fechados estão ficando ainda mais desvalorizados.

Uma boa maneira de contornar essa situação é ouvir mais seus clientes (se você já tem seu negócio), ou pesquisar e buscar entender o que as pessoas realmente necessitam (se você está pensando em abrir um).

Essa dica pode parecer elementar, mas ela faz parte de uma forma de enxergar o mundo dos negócios muito mais amplamente.

Para fugir da crise é muito importante, primeiramente, prototipar suas ideias. Prototipar quer dizer que antes de abrir seu empreendimento é importante testar as ideias, pesquisar o mercado, entender os reais anseios e desejos das pessoas (principais clientes/público-alvo, possíveis clientes e, sobretudo, aqueles que não são clientes).

Essa atitude impede que se gaste uma quantia monetária e um esforço físico muito grande, gerando insumos sobre aquilo que pode ou não dar certo. Em um segundo momento, agir assim, não somente permite desenvolver um modelo de negócio “validado”, mas permite também criar um negócio que gera um valor real para o seu cliente.

É neste momento, da criação de um real valor para o cliente, que o empreendimento deixa de ser simplesmente mais uma opção e passa a ser a melhor delas. Não existe momento de crise que impeça um empreendimento que gere valor para o cliente de crescer.

O diferencial do empreendedor que gera valor

No momento atual, pensar em um business design, levando em consideração as necessidades e os reais desejos das pessoas, é criar um novo paradigma.

Esse novo paradigma, esta nova forma de “entender o mercado”, nos leva a outra maneira de se diferenciar em tempos de crise. Além de se buscar ouvir o que seus clientes e não clientes têm realmente a dizer, devemos observar com sabedoria os concorrentes. Inovar, em tempos atuais, virou condição, mas não se deve perder de vista que a verdadeira inovação é a inovação que gera valor.

Contudo, o objetivo não deve ser competir melhor, mas se tornar único. Empresas “rígidas” que se moldam de acordo com o status quo do mercado em que ela está inserida ficam à mercê do mesmo, simplesmente competindo por porcentagens baixas de venda e navegando em águas turbulentas.

Quando chega a crise, essas empresas tendem a ficar em maus lençóis.

Uma teoria relativamente recente indica que para uma ideia, um projeto, ou um negócio dar certo ele não deve se importar simplesmente em competir e sim em buscar um Oceano Azul, que seria o local no qual só esse empreendimento conseguiu chegar.

Lá não existe mais a competição. A proposta da organização que navega por estes mares é tão única que ela não precisa se preocupar com os outros.

Para se chegar até este ponto é necessário, mais uma vez, entender e pesquisar o mercado. Sobretudo, ouvir o que todos os envolvidos, inclusive os que (ainda) não estão interessados, têm a dizer.

A partir daí, a preocupação e os pressupostos devem estar relacionados à criação e ao desenvolvimento de um empreendimento que gere um valor diferente daqueles que já estão em jogo no mercado.

O grande diferencial desta teoria é determinar qual é essa entrega de valor que falta no mercado desejado e criar uma estratégia que tenha foco, que traduza e transpareça o que a empresa quer entregar.

Ou seja, deve-se valorizar este ponto em detrimento de outros que não tenham tanta importância. Desta maneira, é possível reduzir custos e, principalmente, ser reconhecido como “diferente”.

Talvez estes conceitos pareçam muito subjetivos ou intangíveis quando os abordamos desta maneira. Mas isso não vai ficar assim! Vamos ver cases e informações mais concretas de como realmente gerar valor e se diferenciar no mercado.

Cases: Como se diferenciar na prática

Agora vamos provar a eficácia desses posicionamentos perante o mercado no estado atual. O Oceano Azul e o Design Thinking são novas estratégias para renovar o cenário, mas como diz o ditado, “melhor do que a palavra é o exemplo”.

Para exemplificar essas práticas, durante esse texto iremos mostrar empresas que as utilizaram, obtiveram sucesso em seus mercados e hoje são reconhecidas como referências, ou mesmo, destaques em seus segmentos.

O primeiro caso é de uma das empresas mais conhecidas do Brasil, a Gol Linhas Aéreas, criada há 14 anos, em janeiro de 2001, e que até hoje cresce de maneira exponencial. A Gol decidiu criar uma proposta diferente de todas as outras companhias do setor: popularizar o transporte aéreo.

Essa proposta foi o divisor de águas para o crescimento sem precedentes da companhia aérea. Para entender melhor o caso, vamos dissecar os aspectos principais dessa história.

Em 2001, um grupo de empresários provenientes do setor de transportes terrestres decidiu investir no setor de aviação comercial. Com um investimento inicial de 200 mil reais, quantia irrelevante perante as suas concorrentes da época, esses investidores decidiram que iriam manter princípios do seu mercado inicial e alinhar suas necessidades com as demandas do novo setor.

Esse foi o primeiro passo na trajetória da Gol. Em seis anos, a empresa passou a valer 12 bilhões e arrematou a empresa ex-líder do mercado (Varig). A partir de um grande estudo, ela entendeu seu mercado, percebeu as fraquezas e forças desse ramo tão difícil de se inserir e decidiu não ir atrás dos clientes já fidelizados pelas concorrentes, e sim explorar um público novo para o setor, mas conhecido pelos gestores, ou seja, os adeptos ao transporte terrestre. Esta foi uma cartada genial, que permitiu à empresa nadar nesse oceano novo e inexplorado por um bom tempo.

Ferramentas de criação: O Design Thinking

Nosso outro case também é de um gigante do Brasil, o Itaú/Unibanco, uma empresa que vive em um setor extremamente regulado e padronizado. Contudo, a empresa decidiu investir em inovação, seguindo o Design Thinking – termo criado por Tim Brown, CEO da Ideo (a maior e mais respeitada Consultoria de Design e Inovação do mundo), para conseguir expressar a diferença entre ser designer e pensar como designer –, e decidiu criar um escritório totalmente voltado para a área, o “Espaço Inovare”, que desenvolve todo o processo criativo e de inovação do banco.

Ser Ou Não Ser Empreendedor: Design no Thinking no Espaço Inovare, Itaú
Espaço Inovare: O Design Thinking aplicado também em grandes empresas

É um cenário totalmente diferente do que é esperado de uma empresa do gênero. Baias, mesas de reunião e computadores foram substituídos por sofás confortáveis, canetas coloridas, post-its, cola, tesoura e blocos de montar. Nesse espaço, são discutidos projetos e apresentados workshops e metodologias para o melhor desenvolvimento da marca perante o mercado.

Nesse escritório, a palavra inovação é levada ao pé da letra, porque eles sabem como testar suas ideias, utilizando o conceito de “prototipar” e buscando entender como esses produtos seriam vistos, e claro, qual seria sua aceitação no mercado.

A importância disso é que, a partir do momento em que todas as ideias são possíveis, que não há restrições para a imaginação e que há liberdade para todos os membros, o ambiente é, sem dúvidas, propício ao desenvolvimento.

E qual foi o resultado para o Itaú? Hoje, a marca Itaú vale 4.315 milhões, segundo a BrandAnalytics, sendo atualmente a segunda maior marca em seu setor. Além disso, teve o maior crescimento percentual do ano em relação aos seus concorrentes diretos, uma taxa de 28%, e é hoje a 3ª marca mais valiosa do Brasil.

Esses são apenas dois exemplos que estão dentro do cotidiano do brasileiro, mas quem não conhece a Apple, Disney, Coca-Cola, ou Google, por exemplo? Quem não sabe que essas são referências no mercado? Não é à toa que, ao deixarem de seguir o “status quo”, caminharam para chegar ao que são hoje, gigantes do mercado.

Essas são algumas das provas da efetividade dessas práticas. Em um ambiente tão padronizado, é fácil cair na armadilha de resolver um problema sempre da mesma maneira. Por isso, qualquer empresa pode se beneficiar, basta deslocar o olhar do cenário convencional para conduzir a descobertas inesperadas e inovadoras.

Não há porque temer a inovação, independentemente do porte da sua empresa, ela possui, sem dúvida, algum potencial; basta saber onde buscar, entender quais são os mares favoráveis e as ideias com possibilidade de sucesso.

Portanto, nunca deixe de “prototipar” suas ideias e de buscar o conhecimento do mercado para se diferenciar. A Pacto Consultoria pode te ajudar a tirar o negócio do papel. Deixe-nos conhecer melhor os seus objetivos em um diagnóstico virtual gratuito.